Rua das Flores

Entre 1521 e 1525 tiveram lugar as obras de abertura da rua Santa Catarina das Flores, hoje conhecida apenas como rua das Flores.

Com início no Largo de São Domingos e terminando em frente à actual Estação de São Bento, esta nova artéria serviu de ligação entre o Cais da Ribeira e a Porta de Carros, que dava acesso ao arrabalde extramuros.

Pioneira na história urbanística da cidade, a rua de Santa Catarina das Flores foi a primeira no Porto a ser alvo de normas específicas para a construção de estruturas de habitação, mas não só, regulando-se uma espécie de pré-projecto de panorâmica das fachadas implantadas em ambas as margens da rua.

O traçado de desenho largo e retilíneo permitiu a construção de casas mais altas, modernas e luxuosas, de estilo apalaçado, que, uma vez ocupadas pela elite da cidade, criaram ao longo desta artéria uma nova zona de poder e estatuto social que rivaliza com o espaço de poder tradicional da Sé.

Construída logo após o término da antiga prerrogativa que impedia a estadia de nobres dentro da cidade, esta rua serviu, naturalmente, de nova morada para famílias da recém-chegada fidalguia, mas também famílias da burguesia portuense, algumas instaladas de novo, outras transferidas da rua Nova, e também as famílias ligadas à aristocracia urbana, os cidadãos empenhados em cargos a administração da cidade bem como funcionários régios.

Parte da área cedida para o rasgamento desta nova rua era ocupada por hortas pertencentes ao cabido e ao bispo, sendo provável que daí tenha partido o topónimo “das flores”, aquele que ainda hoje se mantém para designar uma rua que é, simultaneamente, única e tão característica da cidade.

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