Arquitecto Marques da Silva

José Marques da Silva nasceu no Porto, a 18 de Outubro de 1869.

Matriculou-se na Academia Portuense de Belas Artes em 1882, onde foi aluno do Arquitecto Silva Sardinha, do Escultor Soares dos Reis e do Pintor Marques de Oliveira.  Concluiu o curso de Arquitectura, e parte para Paris, preparando o concurso de admissão à Escola Nacional e Especial das Belas Artes de Paris, onde é admitido em 1890.

Frequentou, então, o Atelier de Victor Laloux (futuro arquitecto da Gare d’Orsay) e conviveu num círculo de amigos de que fizeram parte, entre outros, Teixeira Lopes, Ventura Terra, Veloso Salgado e António Nobre.

Obteve, em 1896, o titulo de Arquitecto Diplomado pelo Governo Francês, tendo apresentado como prova final o Projecto de uma Gare Central, exercitando, deste modo, o tema da Estação Central do Porto que, então, preocupava a cidade, quando o comboio chegava à cerca do Convento de São Bento da Avé-Maria (séc. XVII). 

José Marques da Silva, foi sem dúvida, o grande arquitecto do seu tempo, o principal responsável pela monumentalização da cidade, autor prolífero, que deixou a sua marca no Porto, mas também na cidade de Guimarães.

Selecção das suas obras mais representativas:

  • Estação de S. Bento (1898-1916) – Para a sua construção, foi preciso demolir o Convento São Bento da Avé-Maria. É notório a influência da arquitectura francesa na sua obra, se comprarmos esta à Gare d’Orsay.
  • Teatro Nacional S. João (1909-1920) – Denominado inicialmente como o Real Teatro de S. João, sofreu um grande incêndio em 1908, ficando totalmente destruído. A burguesia portuense uniu-se e convidou o célebre arquitecto para projectar um novo teatro. Aqui vemos um pouco a influência da Ópera de Paris.
  • Liceus: Liceu Alexandre Herculano (1914-1931), na Avenida Camilo, e o Liceu Rodrigues de Freitas (1918-1932), na praça Pedro Nunes.
  • Edifício da Companhia de Seguros A Nacional (1919) – Com este edificio imponente, Marques da Silva marca o principio da Avenida dos Aliados, na época denominada Avenida das Nações Aliadas, com dois edifícios-torre exuberantes, refletem as obras parisienses que o arquitecto tão bem conhecia e o influenciaram.
  • Edifico Joaquim Emílio Pinto Leite (1922) – do lado oposto ao edifício da Companhia de Seguros a Nacional, este imóvel albergou em tempos o Banco Pinto Leite. Actualmente é a sede do banco espanhol BBVA.
  • Edifício dos Grandes Armazéns Nascimento (1914-1927) – situado no gaveto da rua Santa Catarina com Passos Manuel, foi mandado construir pelos irmãos nascimento. Depois dos armazéns, acolheu o célebre Café Palladium, e mais tarde, um pronto-a-vestir, as Galerias Palladium.
  • Casa de Serralves (1925) – construída na antiga Quinta de Recreio de Lordelo, propriedade pertencente ao Conde de Vizela, Carlos Alberto Cabral. https://www.serralves.pt/institucional-serralves/visitar-a-casa-de-serralves/
  • Monumento aos Heróis da Guerra Peninsular (1909-1951) – em plena rotunda da Boavista, denominada como Praça Mouzinho de Albuquerque. Este monumento grandioso, foi construído em co-autoria com o escultor Alves de Sousa. Com o falecimento de Marques da Silva, foi só terminada em 1951, pela sua filha, Maria José Marques da Silva, e o marido, David Moreira da Silva, em conjunto com os escultores Henrique Moreira e Sousa Caldas.

Para mais informações, visite a Fundação Marques da Silva, à praça do Marques, no Porto.

Estação de S. Bento
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