Carmo e Carmelitas

A implantação geminada de duas igrejas é uma raridade no panorama urbano nacional, constituindo um conjunto arquitectónico de grande impacto visual na zona nobre do Porto no século XVIII, marcada pelo espírito do urbanismo do Iluminismo – refere-se ao decreto de 2013 que estabelece a classificação do conjunto como monumento nacional. Na verdade, este arranjo lado-a-lado permite observar dois edifícios de grande qualidade, ilustrando a evolução histórica da arte em Portugal.

A igreja dos Carmelitas ou Carmelitas Descalços (Descalços) está situada na paróquia de Vitória. Começou a ser construída em 1616 e foi concluída em 1628. A decoração interior só ficaria terminada em 1650. 

Junto à igreja da primeira ordem da igreja dos Carmelitas Descalços está a igreja da terceira ordem.

A igreja da Venerável Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo foi construída entre 1756 e 1768, mesmo ao lado da igreja da primeira ordem dos Carmelitas Descalços. Segue um projecto da Figueiredo Seixas, nome fundamental da arquitectura norte entre o barroco e o neoclássico, com algumas alterações com o toque de Nicolau Nasoni.

Em 1912, a fachada lateral da Igreja do Carmo foi revestida com um magnífico painel de azulejos, representando cenas alusivas à fundação da Ordem dos Carmelitas e do Monte Carmelo. A composição foi desenhada por Silvestre Silvestri, pintado por Carlos Branco.

Entre as duas igrejas existe uma fachada estreita que é frequentemente considerada, a casa mais estreita do Porto. É um espaço pertencente à igreja da terceira ordem que dá acesso à torre sineira que, curiosamente, fica ao lado da igreja dos Carmelitas Descalços. Para tocar os sinos, o campanário teve de subir três andares e passar por cima da abóbada da igreja da primeira ordem até chegar à torre.

Dentro deste estreito edifício, é possível ter acesso a um pequeno apartamento, destinado ao uso exclusivo dos padres da igreja do Carmo e também às Catacumbas.

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